E.U.A News (Painel do Paim) - N. 487 da série de 599 Blogs do Coronel Paim - O Porta-Voz

Este blog se destina a registrar aspectos ecológicos do grande país do norte e sua influência sobre a economia internacional e brasileira e a vida do nosso povo, inclusive a preparação ostensiva e sua participação no desfecho do golpe de 1964 e, recentemente, na espionagem das ações do governo brasileiro. .

domingo, 30 de dezembro de 2012

Governo vence guerra cambial e dólar sobe mais de 9% no ano

Por Natália Cacioli

SÃO PAULO, 28 Dez (Reuters) - Fortes intervenções das autoridades brasileiras no mercado de câmbio levaram o dólar a encerrar 2012 ligeiramente acima de 2 reais, dentro de uma banda informal que o governo considera ideal para estimular as exportações sem causar grandes danos à inflação.
O intervencionismo estatal gerou grande desconforto entre investidores e analistas que, apesar de esperarem manutenção da taxa de câmbio acima de 2 reais em 2013, preocupam-se com possíveis mudanças na estratégia do governo.
A moeda norte-americana encerrou a última sessão do ano cotada a 2,0447 reais na venda, praticamente estável em relação à véspera, mas acumulando em 2012 alta de 9,43 por cento sobre o real.
"O dólar fechou o ano nesse nível por causa do governo. Se não fosse por isso, a moeda estaria rondando 1,60 real", afirmou o economista-chefe do BES Investimento, Jankiel Santos.
A divisa norte-americana iniciou o ano cotada em torno de 1,80 real, mas massivas injeções de liquidez por bancos centrais de países desenvolvidos chegaram a trazer o dólar para cerca de 1,70 real, com investidores à procura de maior rentabilidade em mercados emergentes.
BC e governo iniciaram então a chamada "guerra cambial", anunciando intervenções e medidas para segurar a valorização excessiva do real e proteger o país do que a presidente Dilma Rousseff frequentemente chama de um "tsunami monetário".
Entre as ações, vieram leilões de compra de dólares no mercado à vista e alterações na cobrança do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) sobre empréstimos externos.
Juntamente com um período de aversão ao risco no exterior, as intervenções surtiram efeito e, em junho, o dólar disparou e ameaçou ultrapassar 2,10 reais. O BC, então, passou a atuar na ponta oposta, interrompendo a alta com leilões de swap cambial tradicional, equivalentes a venda de dólares no mercado futuro e que ajudam a puxar a cotação da divisa para baixo.
As ações chegaram a derrubar o dólar para 1,98 real, levando o diretor de Política Monetária do BC, Aldo Mendes, a declarar que o dólar abaixo de 2 reais não era bom para a indústria.
Estabeleceu-se, assim, a banda informal de 2,0 a 2,1 reais que viria a vigorar praticamente durante todo o resto do ano. Nos quase quatro meses seguintes, o dólar se manteve em torno de 2,03 reais.
Embora as autoridades nunca tenham declarado a existência de uma banda, o próprio ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu um sistema de "flutuação suja" no país.
"O governo brasileiro faz bem em administrar a flutuação do câmbio", avaliou o Professor Doutor do Instituto de Economia da Unicamp Pedro Rossi.
"O padrão de volatilidade da taxa de câmbio brasileira nos últimos seis meses mudou completamente e a volatilidade é a mais baixa desde que findou o regime de bandas cambiais em 1999", completou.
Neste final de ano, no entanto, o mercado de câmbio saiu do marasmo e viu o dólar raspar em 2,14 reais devido a expectativas de que o governo favoreceria um real mais desvalorizado para impulsionar as exportações.
Mais uma vez, no entanto, o governo interveio.
O mês de dezembro foi marcado por uma enxurrada de leilões de venda de dólares com compra conjugada, cujo objetivo primordial é prover liquidez ao mercado no fim do ano, quando normalmente há escassez de moeda estrangeira. Como resultado, o dólar recuou 4,04 por cento em dezembro.
BC e governo também reverteram parte das medidas tomadas no início do ano e reabriram a torneira para entrada de dólares no país, o que trouxe novamente a moeda para abaixo de 2,10 reais. O tiro de misericórdia foi dado na última quarta-feira, quando a autoridade monetária realizou dois leilões de swap cambial tradicional com o dólar já em baixa e em torno de 2,07 reais.
INFLAÇÃO E CRESCIMENTO
Trazer o dólar para abaixo de 2,05 reais neste final do ano é uma tentativa do BC de ancorar as expectativas de inflação para 2013 e trazer mais previsibilidade aos investidores, segundo analistas.
Uma importante fonte da equipe econômica disse à Reuters no início de dezembro que o dólar em torno de 2,03 e 2,04 reais agrada a boa parte da equipe da presidente Dilma Rousseff, pois aumenta a competitividade das exportações brasileiras e favorece os investimentos, sem pressionar a inflação.
"Na ótica do BC existe o interesse de evitar um deslocamento muito grande das expectativas", afirmou o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, referindo-se ao papel de regulador da autoridade monetária.
Um real muito desvalorizado aumentaria ainda mais as pressões inflacionárias, que poderiam ameaçar o projeto do governo de manter as taxas de juros na mínima histórica de 7,25 por cento ao longo do ano que vem.
Nesse contexto, o dólar tem pouco espaço para subir mais, afirmam economistas. Segundo eles, a estabilidade da taxa cambial deve ser a bandeira defendida pelo governo ano que vem para trazer previsibilidade e incentivar investimentos do setor privado no país.
"Todo esse intervencionismo dificultou o ambiente de negócios", afirmou Santos, do BES Investimento. "O real continua sujeito a variações por causa do ambiente externo, mas a tendência do governo é deixar o dólar se mexer o menos possível. Acredito que dessa vez aprenderam a lição", emendou o economista-chefe.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Lúcia Guimarães

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Não adianta chorar

17 de dezembro de 2012 | 2h 09
 
Lúcia Guimarães - O Estado de S.Paulo
NOVA YORK - O governo americano não permitiria que nenhuma das 20 crianças executadas por Adam Lanza na sexta-feira, em Connecticut, viajasse num automóvel sem um assento infantil especial.

Se alguma daquelas crianças martirizadas na sala de aula morasse no meu apartamento, eu teria que comunicar ao governo para que o edifício instalasse grades de proteção na janela.
Duas semanas antes de ter seus corpos perfurados pelas balas de uma arma automática que os soldados americanos usam no Afeganistão, as mesmas vítimas tinham sido resguardadas pelo novo Ato de Proteção à Criança, uma lei que dá 20 anos de cadeia para quem for encontrado com material pornográfico envolvendo menores de 12 anos.
Um dos senadores que patrocinou a passagem da lei é o texano John Cornyn. O mesmo republicano que votou a favor da permissão para passageiros levarem armas de fogo na bagagem a bordo de trens e recebeu a nota máxima, "A", da NRA, a National Rifle Association.
Em Washington, 244 dos 435 deputados que ocupam o Congresso aceitaram doações da NRA este ano. Entre os que não receberam dinheiro diretamente do poderoso lobby das armas de fogo, quantos fariam o que fez Victoria Soto, a professora de 27 anos que escondeu seus alunos num closet? As últimas palavras de Victoria foram dirigidas a Adam Lanza. Ela mentiu sobre a localização das crianças antes de ser executada.
Este mês, 4 Estados americanos contam com a ajuda da NRA para se juntar aos 17 Estados que passaram leis autorizando empregados a levar armas de fogo para o trabalho, desde que elas fiquem guardadas no carro.
Em seguida ao segundo pior massacre por armas de fogo nos Estados Unidos, a mídia americana vasculhou a história da família Lanza para sinais de explicação da tragédia. O divórcio dos pais de Adam foi traumático, disseram. O atirador de 20 anos era extremamente inteligente mas antissocial. Até a irmã do pai de Adam, falando aos repórteres, se confessou aliviada: "Meus filhos sabem distinguir certo de errado", disse ela, e pontificou sobre a necessidade de criar bem os filhos. Sua cunhada Nancy foi a primeira vítima de Adam, morta com um tiro no rosto. Quando sentava no bar de Newtown para ouvir jazz, Nancy Lanza se orgulhava em falar da coleção de armas que mantinha em casa. Seus amigos dizem que ela levava os filhos para praticar pontaria em clubes de tiro ao norte de Nova York.
O governador de Connecticut disse que não adiantava procurar motivo para a tragédia porque não há uma explicação satisfatória. Como ele se engana. Em 1997 depois do assassinato em massa que fez 35 vítimas na Tasmânia, um governo conservador na Austrália passou uma lei de controle de porte de armas. Não houve outro massacre desde então. No mesmo ano, depois do massacre de 16 crianças na escola primária de Dunblane, na Escócia, o parlamento britânico tornou ilegal a propriedade privada de armas de fogo.
2012 foi um dos anos mais letais na história dos massacres de massa americanos. Assim como aconteceu na tragédia no cinema de Aurora, em julho, quando James Holmes fuzilou 12 pessoas com armas adquiridas legalmente e munição comprada online, o ritual pós-massacre se repete: políticos falam em Deus, família e mandam hastear bandeiras a meio mastro. Vigílias à luz de velas se multiplicam e a indústria de entretenimento cancela eventos. Platitudes são regurgitadas em incontáveis entrevistas. Psicólogos e sociólogos são convocados para examinar o perfil do assassino de massa - quase sempre um solitário homem branco.
Mas ninguém tem a coragem de Victoria Soto, a professora que morreu protegendo seus alunos. Os mesmos políticos que querem proteger as crianças do casamento gay se opõem à proibição da propriedade particular de armas automáticas. Na maioria dos Estados americanos, propor o controle da posse de armas de fogo é cometer suicídio eleitoral.
Num mundo em que formador de opinião é quem tem milhões de seguidores no Twitter, não há debate responsável sobre o grave problema americano de saúde pública, sim, saúde pública, a epidemia de armas de fogo. Os Estados Unidos têm tantos habitantes quanto armas de fogo em circulação - mais de 300 milhões. As crianças americanas de 5 a 14 anos têm 13 vezes mais chances de ser assassinadas por armas do que as crianças de países industrializados.
Nunca vimos Barack Obama chorar. O presidente apelidado de "no drama Obama" lutou contra as lágrimas quando leu uma mensagem curta depois do massacre de sexta-feira, em que lamentou a inocência perdida das crianças sobreviventes do massacre. Victoria Soto não chorou mas salvou crianças. Quantas crianças o presidente está disposto a salvar?